Um conjunto de pílulas espalhadas sobre um fundo amarelo, com os dizeres: Muitas prescrições de antibióticos são inadequadas

Muitas prescrições de antibióticos são inadequadas

Data de publicação: 04/06/2019 10:33:00
Categoria: Medicamentos

Por Rachael Zimlich

A prescrição inadequada de antibióticos não é incomum, sobretudo nos Estados Unidos: é o que indica um estudo publicado no BMJ. De acordo com os dados da pesquisa, de todas as prescrições de antibióticos avaliadas, apenas 12,8% foram adequadas.

“A prescrição de antibióticos é o principal motor do desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estimam que a cada ano, 2 milhões de pessoas nos Estados Unidos desenvolvam infecções por bactérias resistentes a antibióticos, e 23 mil morrem”, afirma o líder da pesquisa, Kao-Ping Chua, médico e professor assistente no Departamento de Pediatria e Doenças Transmissíveis no Centro de Avaliação e Pesquisa em Saúde Infantil da Universidade de Michigan, Ann Arbor.

Como foi conduzido o estudo?
A pesquisa liderada por Chua revisou 15 milhões de prescrições de antibióticos, emitidas para 19,2 milhões de pacientes entre 0 e 64 anos, em 2016. Então, a partir de dados dos pacientes três dias antes da prescrição, a equipe determinou se o antibiótico era necessário e classificou cada receita como apropriada ou não, da seguinte forma:

Apropriada, para condições em que os antibióticos são sempre indicados.

Potencialmente apropriada, nos casos em que os antibióticos podem ser indicados.

Inapropriado, quando antibióticos não devem ser indicados, como por exemplo no tratamento de doenças virais, bronquite aguda e infecções respiratórias agudas, ou resfriado comum.

Outra categoria foi a de prescrições não associadas a um diagnóstico médico, que englobou cerca de um quarto das receitas.

O que a equipe observou na pesquisa?
As prescrições inapropriadas foram mais comuns para adultos (25,2%) que para crianças (17,1%). Entre as prescrições apropriadas os números eram de 12,8%, enquanto 35,5% foram consideradas potencialmente apropriadas, 23,2% inadequadas, e 28,5% não foram associadas a um diagnóstico.

Entre as prescrições incorretas desse tipo de medicamento estavam os casos de bronquite aguda, infecções respiratórias agudas e outros sintomas respiratórios como tosse, de acordo com o relatório.

Além disso, o estudo indicou que 74,7% das prescrições potencialmente inapropriadas foram escritas em consultórios, 7,8% em serviços de urgência e 6,6% em serviços de emergência. Prescrições realmente inadequadas tiveram origem em consultórios em 70,7% dos casos, 6,2% em serviços de urgência e 4,7% em serviços de emergência.

Os números podem ser ainda mais alarmantes, caso os dados sejam cruzados com o de outras pesquisas, mais rígidas quanto à efetividade da prescrição de antibióticos.

"Coletivamente, as prescrições potencialmente inapropriadas ou não associadas a um diagnóstico médico recente representavam 64% de todas as receitas", alertam os pesquisadores. Números preocupantes, especialmente à luz do problema da resistência aos antibióticos, de acordo com o professor Chua.

Em quais casos a prescrição estava correta?
As infecções do trato urinário, faringite, amigdalite estreptocócica e pneumonia bacteriana foram os diagnósticos mais comuns associados à prescrição correta dos antibióticos. Enquanto isso, sinusite aguda, otite média aguda supurativa e faringite aguda foram os diagnósticos mais comuns entre os casos de prescrições potencialmente apropriadas.

Quais foram os medicamentos mais prescritos?
Os dados do estudo indicam que a azitromicina foi o antibiótico mais prescrito (19%), seguido por amoxicilina (18,2%), e amoxicilina-clavulanato (11,6%).

“Sabemos que alguns dos fatores que impulsionam as prescrições desnecessárias incluem o desejo de satisfazer os pacientes, o medo de não tratar doenças graves e a falta de tempo para explicar por que os antibióticos são desnecessários", pondera o líder do estudo. 

Como evitar a prescrição inadequada de medicamentos?
“É importante que os médicos não pressuponham que os pacientes e seus familiares necessariamente querem antibióticos, eles querem simplesmente melhorar. Em alguns casos, eles podem ter uma crença de que os antibióticos são a única maneira de melhorar, talvez porque tenham recebido a prescrição de antibióticos inapropriadamente no passado em situações semelhantes ”, diz.

De acordo com Kao-Ping Chua é necessário ser cuidadoso ao prescrever e também educar os pacientes. Eles precisam saber que melhorarão, independentemente de receberem antibióticos, e que se tomarem antibióticos incorretamente, correm o risco de sofrer efeitos colaterais adversos, como diarreia, infecções fúngicas, reações alérgicas e um aumento na resistência ao antibiótico prescrito.

"Espero que o nosso estudo reitere a urgência de profissionais da saúde eliminarem a prescrição de antibióticos inapropriados, tanto para seus próprios pacientes quanto para a sociedade de forma mais ampla", conclui Chua.

Fonte:

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella

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