Um casal de idosos deitados em uma cama dormindo, com os dizeres: Por que a qualidade de sono diminui quando envelhecemos?

Por que a qualidade de sono diminui quando envelhecemos?

Data de publicação: 02/05/2019 10:04:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Por Amy Norton

Notar diferenças nos hábitos de sono ao envelhecer não é incomum. Porém, uma nova revisão acadêmica sugere que, com o avanço da terceira idade, os idosos perdem a capacidade de alcançar um sono profundo e restaurador – o que pode trazer consequências para a saúde e qualidade de vida.

Ao acordar várias vezes durante a noite, a pessoa acaba perdendo estágios profundos do sono, o que pode ter associação com algumas doenças como a depressão e a demência, de acordo com o pesquisador do sono na Universidade da Califórnia – Berkeley, Bryce Mander.

Além disso, outras condições médicas e seus tratamentos podem causar problemas do sono, assim como a falta de descanso pode contribuir para o avanço dessas doenças.

Pesquisas sugerem uma relação bidirecional entre as interrupções de sono e a demência, por exemplo, afirma outro pesquisador que participou da revisão, Joe Winer. Em um tipo de “ciclo vicioso”, a demência pode levar a problemas do sono, enquanto o sono deficiente pode acelerar o processo degenerativo da doença, a perda de memória e de outras habilidades mentais.

Isso acontece porque o sono profundo ajuda a "limpar" o cérebro das proteínas beta-amilóides que se acumulam nas pessoas com demência, sugere um estudo feito com animais.

O sono pode ser um dos fatores que determinam se uma pessoa envelhece bem ou não. Inclusive, alguns especialistas destacam a consequência da falta do descanso noturno para a saúde.

A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, causa repetidas paradas e recomeços da respiração durante a noite, e está relacionada a doenças importantes, como as cardíacas e diabetes. Pesquisas também sugerem que a apneia pode acelerar o declínio da memória e do pensamento.

Alguns padrões preocupantes são dormir menos de seis horas por dia ou não conseguir dormir por períodos longos.

Nem todas as mudanças no padrão de sono são preocupantes. Ao envelhecer, é comum que as pessoas durmam e acordem mais cedo, ou até que durmam menos do que quando eram mais jovens, e isso pode ser bom.

Os pesquisadores informam que não há razão para pânico com as mudanças nos hábitos de sono, mas que as pessoas devem estar atentas aos sinais do corpo, e encarar o descanso como parte importante da vida saudável, assim como os exercícios físicos e uma dieta saudável.

A qualidade do sono é mais importante que a quantidade e, acordar uma vez no meio da noite e voltar a dormir não é um sinal de alerta, por exemplo. Aliás, de acordo com Mander, as atividades físicas podem colaborar para um sono de melhor qualidade.

A adição de exercícios físicos e atividades sociais à rotina podem contribuir para melhorias no sono. À noite, controlar a temperatura do quarto e minimizar a exposição à luz artificial – principalmente o brilho azul de telas de celular, televisão e computador – pode conduzir a um sono mais tranquilo. Já a exposição à luz do dia pela manhã e à tarde ajuda a regular os ciclos de atividade e sono.

É importante ressaltar que a preocupação com o sono não deve começar no envelhecimento, já que o declínio da qualidade do descanso pode começar antes da terceira idade e progredir ao longo dos anos.

Fonte:
Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Talita
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella

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